As 7 coisas mais importantes que aprendi


Antes de ser artista de lettering, eu me formei em farmácia. Antes de ser farmacêutica, eu quis ser jornalista. Sempre amei as palavras e por esse motivo estou indo na contramão começando um blog ao invés de um canal no youtube. De cara, vou compartilhar 7 coisas que aprendi e podem ser úteis para vocês se encontrarem nesse mundo da arte (acho que vale para qualquer mundo). E como boa viciada em livros, indicarei alguns muuuuito bons para complementar o assunto.

1. Auto conhecimento e identidade

Todo bom artista busca sua identidade por meio da arte. A admiração do público é um adicional que pode vir ou não, mas certamente não é o grande fator motivacional do trabalho. O que a arte te causa? O que você busca por meio dela? Conheça seu estilo, seus limites. Saiba até onde vai a sua zona de conforto, prepare-se e se arrisque a sair dela. Transforme a sua melhor desculpa em oportunidade de crescimento: “Ah, mas eu não sei como faz isso..”. Aprende, uai! Conhecendo suas deficiências e trabalhando elas, você estará à frente das pessoas que acham que já sabem tudo. Não, você nunca vai saber tudo. E sim, isso é ótimo.

Não se iluda com os elogios e não desanime com as críticas. Saiba filtrar essas palavras e procure a opinião de pessoas que entendam do assunto porque elas certamente são mais assertivos nos comentários.

Saiba também o quanto você esta preparado para ir adiante. Você tem as noções básicas de vídeo para começar um canal no Youtube? Você conhece o suficiente de um assunto para dar aula sobre? Não quero te desencorajar a começar algo. A minha intenção é te preparar para fazer as coisas com o mínimo de qualidade e não somente pelo simples fazer. Quer começar por algum lugar? Comece estudando.

Livro: Conheça seus pontos fortes (Donald O. Clifton)

2. Estudar. Inspirar. Treinar

Faça cursos com os melhores. Pergunte aos seus ídolos quem é a pessoa referência naquilo. Invista. Leia sobre tudo! Torne-se especialista na sua área, mas absorva conhecimento de outros assuntos. Se você buscar inspiração sempre nos mesmos lugares, a chance de você acabar copiando o trabalho de alguém é maior.

Quando eu estou sem inspiração, gosto de olhar fotos no Instagram, Pinterest e outros, mas as melhores ideias vêm quando eu saio de casa e ando pela cidade. As placas de rua, anúncios, letreiros, ornamentos de construções antigas, portões, intervenções artísticas, pixos, tudo isso abre minha mente para criar.



Para ilustrar os pilares da criação, imagine um carro. O conhecimento é a carcaça, o treino é o motor e as ideias são o combustível. As três coisas são essenciais para chegar ao destino, não são? Motores e combustíveis são inúteis se não estiverem em uma boa carcaça. Um carro bonito por fora que tem um motor fraco também não é algo desejável. E um carro bonito com um motor potente não chega a lugar algum sem combustível de qualidade. Agora junte as três coisas e você chega em qualquer lugar (sempre fazendo as revisões periódicas - também conhecidas como feedbacks).

A verdade é: Se você estuda e não treina, você não melhora. Se você treina e não estuda, você não evolui.

Livro: Roube como um artista (Austin Kleon)

3. Criar uma rotina e praticar a procrastinação produtiva

Confesso que me sentia culpada por não acordar às 7h e trabalhar das 9h às 18h de segunda à sexta assim como a maioria das pessoas. Depois de um tempo percebi que a minha rotina não precisava ser como a de todos porque a minha profissão não exigia isso. Maaasss, eu também não podia ficar à toa e fazer as minhas obrigações só quando sentisse vontade. Entendi que o segredo de ter uma rotina saudável e ter horários para trabalhar, descansar e se dedicar a projetos pessoais era o comprometimento e não o cronômetro.

Para otimizar o tempo, devemos organizar as atividades antes de executá-las. Quando você é autônomo e não tem horário fixo para fazer as coisas, é provável que crie os maus hábitos que te levam ao menor esforço e, consequentemente, menor produtividade: acordar muito tarde, se perder nos filmes, séries e qualquer coisa que não esteja relacionada ao seu trabalho. Porque na nossa cabeça, quando a chavinha de “tempo livre” está ligada, esquecemos de todo o resto, inclusive que esse tempo vale dinheiro.

A rotina pode sim matar a criatividade se você fizer a mesma coisa, na mesma ordem todos os dias, por isso é importante diversificar e resignificá-la.

Sabe quando ficamos empacados em um problema e a solução vem durante o banho? Acontece que quando tiramos a cabeça da situação, nos permitimos enxergá-la por outro ângulo e isso clareia as possibilidades para resolvê-la.

Em 1 ano aperfeiçoei meu lettering, aprendi sobre fotografia, edição de vídeo, culinária e agora sei tocar algumas músicas no ukulele. Assim como o seu, o meu dia também tem 24 horas. A diferença é que eu não perco tempo pensando em como o problema é um problema e como ele vai continuar sendo um problema se não resolvê-lo (simples, né?). Eu mudo de atividade e deixo que as ideias se organizem o suficiente para que a solução apareça. Essa é a procrastinação produtiva.

O Principio de Pareto diz que 80% dos resultados advém de 20% das ações. Óbvio que quanto mais você fizer, mais resultados vai obter. A mágica da produtividade acontece quando você olha para cada atividade, a enxerga como um projeto e aplica esse princípio. Você não precisa se matar fazendo alguma coisa desde que você utilize mais tempo planejando e organizando do que agindo.

Cuidado com a procrastinação não-produtiva.

O tempo de execução de uma atividade é adaptado ao prazo que temos para realizá-la. Se você tem 2 dias para mandar um e-mail, é provável que você vá demorar esses dois dias para escrevê-lo e mandá-lo. E arrisco dizer que você vai mandar faltando 10 minutos para cumprir o prazo.

O tempo de execução não está necessariamente relacionado à qualidade, tá? Você pode demorar horrores para fazer uma atividade e ainda fazê-la mal feita. O segredo é o foco e organização.

Livros: O poder do hábito (Charles Duhigg) e A única coisa (Gary W. Keller)

4. Ter projetos pessoais

Nos projetos pessoais, quem manda é você! É um momento de buscar conhecimento e aprender de verdade sem correr grandes riscos (com o cliente, porque é você mesmo, saca?). Assim como todo projeto, é importante você estabelecer as metas, indicadores e prazo.

Entre um trabalho e outro, reservo um pouco do meu tempo para experimentar novas técnicas, Gosto de entender os materiais, pensar em outros jeitos de usá-los, surpreender as pessoas com a criatividade. Isso demanda tempo, paciência e concentração, que são elementos escassos quando trabalhamos para um cliente.

Meu trabalho com a arte começou como um hobby. Nos primeiros meses essa aventura era emocionante, desafiadora e eu estava bem motivada. Aos poucos parece que a magia acaba porque começamos a produzir baseado nas expectativas dos outros. Aí que entra o projeto pessoal. Além de ser alimentado com outra motivação, parece que aproxima mais as pessoas que acompanham o seu trabalho.

Não é a toa que praticamente 90% dos trabalhos que compartilho no meu Instagram são projetos pessoais. Amo o meu portfólio de trabalhos comissionados, mas amo mais ainda ver as pessoas se identificando com a minha essência.

Livro: Mostre o seu trabalho (Austin Kleon)

5. Usar as circunstâncias ao seu favor

Você é rico? Pode comprar os melhores materiais do mundo e fazer os melhores cursos? Então aproveite! Não se sinta culpado por ter essas oportunidades. Você tem contatos estratégicos? Utilize com sabedoria, porque ninguém gosta de gente interesseira e oportunista.

Às vezes impedimos o nosso progresso por achar que não podemos utilizar os recursos que temos já que os outros não tem. Besteira, ta? Da mesma forma que outros vão batalhar para chegar nas condições que você está, você também deve estar se esforçando para atingir outro patamar.

O sucesso é a soma de sorte, trabalho e estudo. E sorte é você estar preparado para uma oportunidade quando ela aparecer, independentemente dos recursos que você teve no caminho.

Livro: Dar e receber (Adam Grant)

6. Dividir experiências, opinião e conhecimento

Nesse mundo há espaço para todos e dividir conhecimento pode te render novas amizades.

Tem gente que aprende alguma coisa e guarda a informação à sete chaves, senha de 30 caracteres (incluindo os especiais) e captchas. Até a Pepsi sabe a receita da Coca Cola. O que é tão valioso que você não pode dividir com ninguém e que faz do seu trabalho algo tão único e valioso? Foi dividindo conhecimento que eu criei amizade com pessoas que fazem exatamente a mesma coisa que eu! A diferença é que nós temos a maturidade de entender que existe mercado para todos e que se você não está conseguindo trabalho, a culpa é sua e não do coleguinha que tá fazendo o negócio certinho.

Agora sobre sair falando tudo #semfiltro.

Cuidado para dar opinião negativa sobre o trabalho dos colegas. Mesmo se você tiver intimidade para “falar tudo”, você precisa ter um bom argumento. Aquela coisa da crítica construtiva, sabe? Se você não souber o que esta falando... Bom, não preciso nem dizer. Beleza, por exemplo, é algo relacionado a gosto pessoal e padrões da sociedade. Não achar algo bonito, não significa que esteja mal feito. Por exemplo: Por muito tempo não gostava de letras góticas. Continuo não sendo a maior fã, por isso não costumo usar nos meus trabalhos. Mas sei reconhecer uma letra gótica bem feita. Amo a caligrafia cursiva, mas não acho todas lindas e vejo um monte de coisa mal feita por ai.

Você estudou, sabe que gosto pessoal não é opinião construtiva se não tiver argumento e agora quer falar das coisas com mais propriedade.

Você acha que domina um assunto e as informações podem te render dinheiro por meio de aulas ou consultoria. Antes de sair por aí caçando aluno e cliente, questione se o conteúdo oferecido realmente vale o valor investido. Saber mais do que o outro não te classifica como professor. Para ensinar e cobrar por isso, você precisa entender MUITO do assunto e ter a didática para transmiti-lo. Falarei disso em outro post.

7. Não comparar o seu começo com o meio de ninguém

Por fim, é importante você ter pessoas para admirar e metas para atingir, mas não desanime se os seus resultados não forem iguais aos de uma pessoa que já está nessa área mais tempo.

Se você está no começo, tem a sorte de se guiar por quem já atravessou o caminho. Se está no meio, nunca perca a humildade de lembrar que um dia esteve no começo.

Ninguém nunca está no final. Sempre há algo para aprender e evoluir.

Livro: Start (Jon Acuff)

#vidadeartista #inspiração

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