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  • tatianamatsumoto

Escolhendo cursos e workshops

Atualizado: Out 8

Hoje eu sei que a aprendizagem depende mais do aluno do que do professor, porque se o aluno está na aula de um professor ótimo, mas com zero vontade de aprender, não vai aprender. E se ele estiver numa aula de um professor medíocre, mas disposto a aprender, alguma informação será útil. Para otimizar nosso precioso tempo e dinheiro, é sempre bom evitar esses professores medíocres para que a nossa curva de aprendizagem seja maior.


Então vou compartilhar o que eu avalio antes de me inscrever em um curso/workshop e quem sabe isso ajude vocês a não caírem em cilada por aí. Vou exemplificar com os cursos de caligrafia, lettering e outros que eu fiz e no final eu deixo a lista completa.


(Vamos nos hidratar com o jogo: bebam água toda vez que eu falar "estudar" e derivados)


1. Onde a pessoa aprendeu o que ela vai ensinar.


Todo mestre foi aprendiz. De algum outro mestre ou da vida. A não ser que o profissional esteja há 20 anos trabalhando com isso, acho pouco provável que somente a vivência dê embasamento para o conteúdo que será ensinado. 


Quem estuda bastante e com as referências na área, gosta de exaltar isso quando fala do seu trabalho. “Eu comecei a estudar caligrafia agora, mas já fiz os cursos do fulana, beltrano, da escola tal..”. Eu entendo que quanto mais estudamos, mais sentimos que não sabemos nada e por isso devemos estudar.


Os profissionais que eu mais admiro são aqueles que mesmo trabalhando com maestria continuam estudando. É o caso da minha querida professora de caligrafia Andrea Branco, que ainda participa de workshops de caligrafia com outros calígrafos (tipo o Julian Waters). Ela buscar conhecimento não diminui a própria excelência em nenhum momento e só me faz respeitá-la cada vez mais.


2. Quem aprova aquela pessoa 


Se essa pessoa não for necessariamente a referência na área, eu procuro saber se as autoridades no assunto recomendariam aquele curso ou até fariam ele. Às vezes desconfiamos se não existe um esquema de panelinha, mas quem valoriza a própria credibilidade não indica só pela amizade. 


Um dos maiores erros é achar que popularidade é sinônimo de profissionalismo. Se a Beyonce decidisse do nada dar aulas de lettering (assumindo que ela seja completamente leiga no assunto), não são os milhões de seguidores dela que garantiriam a qualidade do conteúdo, certo?


Premiações também não são garantia de que a aula será boa, mas dependendo da certificação que o profissional recebe pelos trabalhos, há mais chances de que ele saiba o que está fazendo. No contexto do lettering, acredito que um certificado do Type Directors Club (TDC) seja um bom começo porque a banca que avalia os trabalhos é composta de autoridades no assunto.


3. Portfolio 


É difícil avaliar a qualidade de um trabalho quando somos novos na área, por isso esse critério não é o primeiro, mas nem por isso menos importante. Acho fundamental a pessoa ter didática, mas acima de tudo saber fazer aquilo que ela se propõe a ensinar. 


Eu não faria um workshop sobre pintura em mural de uma pessoa que só teve uma experiência com isso na vida. No máximo assistiria uma palestra sobre o assunto. Eu entendo que uma experiência pontual não fornece bagagem o suficiente para ensinar o método e toda complexidade que ele carrega.


4. Conteúdo original 


Eu não tenho dó de investir meu dinheiro em cursos, principalmente se o que será ensinado é algo original. Algo que só aquela pessoa sabe fazer (improvável), ou que só ela sabe fazer daquele jeito. Hoje eu vejo muitas pessoas tentando conquistar alunos pelos mil brindes de papelaria (kit de canetas, sacolas, cadernos, etc) ao invés de fornecer um valor real pelo conteúdo. São essas mesmas pessoas que produzem apostilas como um trabalho de grupo malfeito da faculdade - várias partes de vários lugares diferentes com o único propósito de existir. Não é errado utilizar referências e exemplos externos para compor o material didático, mas antes de tudo o profissional deve se questionar se ele estaria minimamente apto a reproduzir aqueles modelos, se as referências são de uso livre (de direitos autorais) ou se o autor daquele exemplo autoriza o uso naquele propósito.


Por enquanto eu decidi que darei curso somente quando conseguir montar um material decente e que as referências possam ser o meu próprio trabalho.


Fazer mais do mesmo é uma péssima ideia dentro de um mercado que só tende a ficar saturado. E fazer mais do mesmo, ainda sem qualidade eu não preciso nem dizer né?


5. Aspectos históricos e muito técnicos


A parte mais legal é sempre colocar a mão na massa, mas quem sabe o que está falando entende a importância do contexto histórico e da explicação da parte hipertécnica da coisa. Pode ser chato, as pessoas tendem dormir durante a explicação, começam a rolar o feed no Instagram.. Mas um bom profissional está preparado para responder perguntas que vão para o lado mais técnico. Se não souber de cabeça no momento, pelo menos saberá indicar uma fonte confiável para pesquisar o assunto.


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E agora as desculpas que eu já ouvi de pessoas que decidiram dar aula e não deveriam (na minha opinião):


“Dar aula é uma boa fonte de renda”


Sim, mas ganhar dinheiro em cima da ignorância dos outros é feio demais. Não a ignorância de não saber aquele assunto, mas de não saber que o fulano também não domina o assunto e mesmo assim se propõe a ensinar (às vezes até conceitos beeeem errados).


“No lugar que eu moro não tem gente que ensina isso” 


Minha recomendação é que se essa pessoa tem a capacidade de montar uma turma, o ideal seria juntar essas pessoas interessadas e facilitar a logística para trazer alguém que entenda do assunto para ensinar. Muitos professores não vão para vários lugares porque geralmente não conseguem montar uma turma. Fazendo isso estaremos ajudando a comunidade em muitos aspectos.


“Fulano falou que eu deveria dar aula”


Se fulano sabe menos que você, desconsidere a opinião de fulano nesse caso. Se fulano é a referência no assunto, talvez seja uma boa ideia se você sentir realmente preparado e tiver algo original para ensinar.


“É uma forma de aumentar minha visibilidade”


Há varias outras formas de crescer nas redes sociais, ser reconhecido na comunidade e captar clientes. E lembrando que ter visibilidade não é igual a credibilidade. Tem gente que é conhecido e lembrado por ser péssimo naquilo que faz. 


Eu não ligo para o número de seguidores da pessoa no Instagram porque isso me diz se a pessoa é popular, não se ela é boa. 


"Mas eu cobro um valor simbólico, bem baratinho mesmo.."


Ok, chegamos num ponto que pode gerar muita discórdia. Eu acho que fazer isso é um super desserviço para a comunidade. Primeiro porque tudo deveria ter um valor. Se a pessoa não tem algo bom para ensinar, não é cobrando pouco que se resolve. A qualidade é uma questão de respeito ao aluno.


Há muitos profissionais tentando flexibilizar o acesso das aulas por meio de plataformas online. É uma boa forma de introduzir um conteúdo decente por um valor um pouco mais acessível e com menores barreiras geográficas (infelizmente continua não chegando onde não tem internet né).


Se pensarmos que existem pessoas dispostas a aprender e pagar por isso, oferecer algo "baratinho" e potencialmente ruim faz com que essas pessoas realmente percam tempo, dinheiro e se tornem maus profissionais. Vejo alguns professores muito amadores cobrando R$ 150, R$ 200 ou R$ 300 para um workshop de 1 dia. Com esse valor é possível fazer cursos online com pessoas infinitamente mais capacitadas.


Eu entendo muito o valor de cada profissional e por isso me planejo financeiramente para poder fazer os cursos. Alguns começam com uns R$ 800 para 1 dia e outros são U$ 1000 (sim, dólares). Mas se o conteúdo é bom, é um ótimo investimento.


"Uma marca me convidou para oferecer um curso/workshop e eu não consegui recusar a oportunidade"


É contraintuitivo, mas dizer "não" é uma forma de mostrar maturidade e ganhar respeito das marcas e comunidade. As oportunidades sempre vão aparecer, principalmente quando ficamos cada vez melhores naquilo. Divulgar um trabalho ruim por meio de marcas/empresas grandes é o meu pior pesadelo. Prefiro errar no anonimato e não perder a credibilidade entre os meus colegas e potenciais alunos.


E finalmente a lista de cursos e professores que eu indico:


Caligrafia (geral)

Andréa Branco

Cláudio Gil


Podem fazer qualquer módulo ou assunto que eles se propõe a ensinar. Hoje não há uma alma viva que conteste a qualidade dos pais da caligrafia brasileira.


Nível: Todos os níveis (iniciante à "eu ja sei tudo")


Caligrafia - cursiva inglesa e spencerian

Christopher Hammerschimdt

Um curitibano sossegadão que ensina o que eu nunca vi mais ninguém ensinando no Brasil (spencerian), tem um trabalho impecável, produz os próprios cabos de caligrafia e tem a apostila mais bem feita que eu ja vi.


Nível: "não sei nada" até intermediário/avançado.


Sign Painting

Victor Tognollo

Fiz o curso online e ja me ajudou MUITO com os meus trabalhos cotidianos de lettering em parede (mesmo que não seja de sign painting). Ele oferece cursos presenciais e muito em breve farei algum.


Nível: "sei um total de zero coisas" até "achei que tinha uma noção do assunto, mas ai vi que não sei nada mesmo"


Lettering e caligrafia

Estudio Italico

Grande Circular

Gui Menga

Jackson Alves

Juliana Moore

Lygia Pires


Eles oferecem cursos presenciais principalmente em São Paulo. Considero que sejam os workshops mais didáticos para iniciantes que não tem noção do que seja o lettering e/ou caligrafia e procuram um curso bem rápido. Apesar de abordarem o nível mais básico, são bem didáticos quando abordam os aspectos mais técnicos (porque afinal eles já estudaram muito isso).


Nível: "nunca nem vi uma brushpen"


Cursos técnicos de giz


Quando comecei a trabalhar com isso, fiz o online do Fiz com Giz e foi bem util. Depois de 1 ano e meio ja trabalhando com isso, participei do Oficina de Giz presencial com a Cris Pagnoncelli (módulos 1 e 2). Achei muito bom, mas quem tem um nível mais básico aproveitaria melhor o curso por ser um assunto introdutório.


Em Brasilia tem o curso da Raquel Camara, que embora eu não tenha feito, o critério 2 descrito nesse post faria me inscrever no curso dela se eu estivesse num nível básico.


Cursos gringos


Ainda não tive a oportunidade de fazer, mas acredito que pelo valor a ser investido o nível do estudante deve ser intermediário para cima.


Cursos online


Existem várias plataformas de ensino e a que eu mais uso porque sou assinante (e embaixadora também, mas até embaixadora paga assinatura), é a Skillshare. Apesar de ser em inglês, alguns videos tem a opção de ativar close captions, então dá para assistir com legenda em inglês.


Os cursos que eu sempre indico (e motivo pelo qual eu assinei a versão premium) são todos da Martina Flor e Jessica Hische.


Com esse link vocês têm 14 diasde graça (ao inves de 7 dias).


Essa lista foi baseada nos workshops que eu fiz e eu tive ajuda de amigos que entendem do assunto para citar os outros nomes (critério 2).

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